Dario Amodei, CEO da Anthropic, durante o TechCrunch Disrupt 2023

Imagem: Dario Amodei at TechCrunch Disrupt 2023, de TechCrunch, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Anthropic usa IA para criar IA e ritmo de evolução dobra, diz METR

A Anthropic, dona do Claude, está usando a própria inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de novas IAs, e o ritmo de evolução dos modelos da empresa praticamente dobrou. A conclusão é de um relatório publicado em 5 de novembro pelo METR, organização sem fins lucrativos que avalia riscos de IA, e que preocupa pesquisadores por apontar um ciclo em que a IA ajuda a construir IAs cada vez mais capazes.

O que o relatório encontrou

Segundo o METR, os modelos da Anthropic estão ganhando capacidade cerca de 1,9 vez mais rápido do que no período entre março de 2024 e outubro de 2025. Na prática, a empresa avançou em um ano o que antes levava dois. A estimativa tem margem larga: o intervalo de confiança vai de 1,5 a 2,8 vezes.

A maior parte desse salto, perto de 80% pelas contas do METR, vem do uso interno de IA no trabalho de pesquisa. O relatório afirma ter confiança de que a aceleração não se explica por mais poder de computação no treinamento, que costuma ser o motor principal da evolução desses sistemas.

A avaliação durou 11 semanas, de 12 de agosto a 29 de outubro de 2026. A equipe do METR teve acesso a dados internos, entrevistou funcionários e analisou métricas que a Anthropic não divulga.

Funcionários relatam produtividade 12 vezes maior

Em enquetes internas, os funcionários da Anthropic disseram que o modelo mais avançado da empresa em outubro de 2026 os deixava, em média, cerca de 12 vezes mais produtivos. Em janeiro de 2025, o ganho relatado era de 1,2 vez. O próprio METR trata esse número com cautela, por ser autodeclarado.

Por enquanto, a IA funciona mais como assistente do que como cientista independente. Os funcionários usam o Claude para programar, rodar experimentos e analisar dados, o que permite testar mais ideias e descartar as ruins mais rápido. Mas o relatório registra que pesquisadores já veem sinais de que contribuições totalmente autônomas da IA podem ganhar peso em breve.

Por que isso preocupa

O METR disse não ter encontrado nenhum gargalo convincente que impeça a aceleração de continuar. É esse o ponto que inquieta: se a IA ajuda a criar IAs melhores, que ajudam a criar IAs ainda melhores, o avanço pode ficar rápido demais para ser acompanhado e controlado.

Há ressalvas dos dois lados. O ganho pode estar concentrado em tarefas bem definidas e fáceis de medir, e o ritmo antigo da Anthropic pode ter sido baixo, o que inflaria a comparação. Por outro lado, os testes podem estar subestimando o impacto real. Outro problema é a transparência: a Anthropic pediu cortes pesados no relatório, e boa parte das evidências que embasam as conclusões ficou fora da versão pública. A empresa justificou os cortes com a necessidade de proteger informações que poderiam acelerar concorrentes.

O que muda pra você

Para quem usa ferramentas como o Claude, o ChatGPT ou o Gemini no Brasil, a tendência é ver versões novas e mais capazes chegando em intervalos cada vez menores. O relatório reforça também a discussão sobre quem fiscaliza essa corrida: hoje, a avaliação de uma empresa depende do acesso que ela mesma decide dar.

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Com informações de METR, The Verge e Dataconomy.

Imagem: Dario Amodei at TechCrunch Disrupt 2023, de TechCrunch, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).